sábado, 24 de agosto de 2013

Papel do Estado e políticas públicas são discutidas na segunda Mesa do dia 23

Papel do Estado e políticas públicas são foco de discussão no Encontro Estadual da Articulação Paranaense Por Uma Educação do Campo
Bruna Ferrari
Acadêmica de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

O Encontro Estadual de Articulação Paranaense por uma Educação do Campo realizou na tarde de sexta-feira (23/08) a mesa “Estado e Política Pública para Educação do Campo”, que contou com a participação da coordenadora-geral de Educação no Campo e Cidadania do Incra, Clarice dos Santos, e o Prof. Me. Willian Simões, da Universidade Federal da Fronteira Sul.
Foto: Acadêmicas de jornalismo da UEL

Durante a mesa, foi ressaltada a obrigatoriedade do Estado em fornecer educação a todos, discutido o sistema atual, assim como o espaço que os movimentos sociais encontram nele para buscar políticas públicas voltadas aos que moram em áreas rurais.
A representante do Incra falou sobre a estrutura do Estado, que seria um resultado da luta de classes, movendo-se de acordo com a correlação de forças da sociedade, enquanto age de maneira a dotar as classes dominantes de força. O resultado disso seriam políticas voltadas a essa classe. Santos falou sobre a composição do Estado a partir dos três poderes (executivo, judiciário e legislativo) e da influência das classes mais altas, criando um governo que a partir da necessidade de alguns, legisla para a vida social, econômica e política de todos.
Para Santos, os movimentos devem achar condições de disputar fundos públicos, visando desenvolver projetos para a educação no campo que atendam às necessidades reivindicadas pelos trabalhadores rurais.  Criticou o atual sistema da educação por ser voltado ao desenvolvimento de uma mão de obra qualificada para a sociedade capitalista e não evoluir na qualidade do aprendizado. 
A coordenadora terminou dizendo que políticas públicas que criam conflito têm grandes problemas para conseguir espaço, no entanto, são elas que fazem a diferença na sociedade. “O movimento para educação no campo deve ser um projeto da sociedade, que tem que reconhecer a imagem de participação do campo dentro dela” afirmou.

Depois dela, o Prof. Me. Willian Simões apresentou dados sobre a educação no campo no Paraná, baseados no censo escolar, mostrando o fechamento de aproximadamente 40% das escolas de 2010 a 2012. Mostrou o conflito que existe – geograficamente – entre a localidade de escolas, os alunos do campo que precisam de transporte e as linhas de transporte, que muitas vezes obrigam estudantes a percorrer quilômetros para chegarem ao ponto de ônibus. Os dados também mostram que 30% das escolas no campo não têm salas para professores e diretores, 85% não tem laboratório de ciência, 42% não possuem bibliotecas e 45% não tem quadra de esporte. Ele ainda confrontou alguns dados com os das escolas da área urbana, onde 93% da zona urbana têm bibliotecas e 84% possuem quadras.  Os dados são aproximados.
Depois dos palestrantes, alguns participantes fizeram considerações, falando sobre as dificuldades de estrutura e material das escolas e o posicionamento dos órgãos do governo com relação aos estados e municípios, que muitas vezes são responsáveis por ordenar projetos na área.  Mais de 900 pessoas assistiram à mesa e participam nesses dias das discussões sobre a importância de uma educação do campo e no campo.

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